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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Passos Curtos




A passos curtos temos caminhado. Por durante muitos anos, o homem se viu aflito frente às desavenças e medos gerados por uma denominada “Guerra Fria”. Ditaduras espalhadas por todo o globo. Hoje, não nos vejo tão longe daquela época. Não a vivi, confesso, mas creio que nossos sentimentos não seriam muito diferentes dos de hoje.

Se estivéssemos ainda na guerra fria, teríamos medo constante de uma nova guerra mundial; de novos conflitos armados; de vermos nossas casas sendo invadidas por militares. Opa!, nesse caso, não temos mais tanto medo de serem invadidas as nossas casas por militares, mas temos excesso de medo de que, em qualquer hora, algum bandido qualquer, um jovem (provavelmente) que vive à mercê da sociedade desde que nasceu, pule nossos muros e adentre em nossa residência com intenções que nos afligem; jovem esse que não teve (muito provavelmente) um lar, uma família na forma de um pai ou uma mãe que lhe colocassem no colo lhe dando conselhos e afeto nos momentos de dificuldades, de dúvidas ou receios. Sem medo da morte, esses jovens seguem a vida aos seus modos. Hoje, vivemos acuados por vários medos e em todo o tempo!

Por todos os lados, o medo nos assombra, tornando-nos acuados. A qualquer momento podemos ver países sendo invadidos pelas mais infames desculpas. A qualquer hora do dia, famílias inteiras são mortas por motivos mais triviais. Pais, mães, filhos se perdem no caminho dos vícios, das drogas, da violência, do desamparo. Somos todos reflexo dos medos que criamos há anos e que não os deixamos ir. Construímos e perpetuamos a sociedade e as coisas que nos causam medo. Ainda somos vítimas dos mesmos (talvez um pouco mais modernos hoje em relação a outrora) medos de sempre.

Andamos a passos curtos. Estamos tendo dificuldades em ver nosso passado distante de nós, deixado para trás. Há séculos e séculos homens matam seus semelhantes. Antes era “olho por olho, dente por dente”; hoje nem mesmo temos um bordão qualquer. Antes, homens matavam quando iam às guerras, quando julgavam que sua honra havia sido afetada, ou que a honra de sua família havia sido atingida de alguma forma. Hoje, matam-se por nada. Por desavenças no trânsito. Por desavenças no esporte. Por desavenças do lar. Matamos como animais irracionais, mas nem os animais irracionais matam sem motivos. Eles matam para dar o que comer à sua prole, visando sua sobrevivência. Matamos hoje por qualquer motivo e, pasmem, por prazer até. Caminhamos a passos bem curtos. Alguns de nós nem mais caminham - ou por medo ou porque não sabem que avançar é parte de nosso objetivo na Terra.

Somos caminhantes errantes. Muitos de nós se crêem sem lugar para ir. Esses caminham sem vislumbrar qualquer lampejo de esperança. Caminhamos a passos curtos, embora a maioria de nós não o perceba ou nem se importe. Outrora éramos mais reflexivos. Sócrates e Platões não mais habitam nossas praças, pois ou têm medo de saírem às ruas ou não têm tempo de refletirem mais – pois, acredito, a internet e seus empregos têm tomado conta de todos os momentos de seus dias.

É fato: caminhamos a passos curtos, amigos! Mas sempre adiante. Embora o pessimismo nos assombre assim como o medo, a verdade caminha de mãos dadas conosco e o Bem Maior nos espreita a todo tempo não nos deixando perder as esperanças e os rumos da caminhada.

Adiante, companheiros. Adiante! Sempre em frente. Avante! A passos curtos ou não, mas cada um ao seu tempo, porém todos para frente...sempre para a frente, rumo a um futuro sem os medos que tanto nos corroem hoje. E ele há de chegar!

Pedro GuiSaX

domingo, 5 de setembro de 2010

Sobre a imensidão

Olho para o céu,

Percebo a imensidão

A chamar-me pelo nome

Ao alcance de minha mão

Tento tocá-la

Infringindo a lei de Deus

Mas vejo que

por mais que esteja perto

Mesmo se eu tentar

Será apenas ilusão

Tocar o infinito

é sonhar um sonho em vão


Num vôo alto

Tal qual gavião

Afasto-me da realidade

Desprendo-me do chão

Em busca da infinitude

Daquela imensidão

Mas nada!


Pleno em lágrimas

Percebo a decepção

De ter sido

por um instante

Enganado

Traição!


Há pouco me via lá

Só o céu a me olhar

E nada eu toquei

Por que me esforçar?

Te digo que tentei

Mas sem nada a declarar

Voltei, assim, sozinho

Mas novo

Pois percebi que o céu

É algo além

Da minha imaginação

E da sua também.


A imensidão é um sonho

Um brinquedo nas mãos de Deus

E nós aqui pensando

Onde estamos indo?

Pra onde caminhamos?

A resposta é simples

Não há nada a encontrar

Pois não se encontra com um sonho

Ele se nos agarra

Pelos pés, mãos

Nos prendendo no chão

E, enfim, a realidade.


É, amigo,

Não se atenha a sonhar

E sim, se concentre no caminhar!

Pois sonhando o tempo passa

E com ele, nós também

À espera de algo

Que nos veio de Belém

E permanece entre nós

Sem ser visto por ninguém.



Pedro GuiSaX

Carta de um simples caboclo

Caro Deus,

O que está ocorrendo com o mundo? O que foi feito daquilo que criastes? Não me reconheço em tua criação. Nada mais me desperta curiosidade no homem, mas em muito descubro o medo por ele. Não sabia eu que tuas mãos, que há muito trabalharam na criação de tudo isso o que vejo enquanto lhe escrevo estariam em descanso um dia. Deus, tu te esqueces de nós ou nós nos esquecemos de ti? Quem mais negligencia o outro? Perdão Deus, por minhas dúvidas, mas sou apenas um ser assustado pelas conseqüências de Sua criação.

Senhor, tenho tido dificuldades em encontrar homens bons. Há muito não me recordo de quando vi um homem feliz. Tenho medo do amanhã, confesso. Falta-me fé? Há muito tenho medo do homem, meu semelhante. Falta-me a coragem? Não sei mais onde me esconder, Senhor! Nem te digo o quanto sofro por isso, pois tenho certeza que estás muito ocupado. Mas olhe por nós, Deus. Sei que são muitos os mundos, os planetas e é grande o universo, mas tende piedade de nós, tão pequeninos aqui na Terra.

Quando oro, quero sentir a certeza de que estás ali, no silêncio de meu coração e no desalinho de minha mente. Senhor, se tiveres tempo, venha nos visitar. Agradeço pela natureza, que criaste e que nos dá de comer. Agradeço pela terra, que nos sustenta os pés e nos dá os frutos de nosso trabalho. Agradeço pelos animais, que nos fazem relembrar que ainda podemos ser honestos com a natureza, mesmo tendo de usufruir dela. Agradeço pelas religiões, pois graças a elas sabemos que a tolerância e o respeito devem superar qualquer discussão. Agradeço por poder falar contigo, pois assim sei que não estou só. Agradeço pela solidão que às vezes me persegue, pois assim sei que tenho que ser melhor a ponto de nunca perder a fé. Agradeço pelas crianças, que nos fazem perceber que a vida é mais bela que nos parece e que somos culpados pelo mundo que construímos para elas. Agradeço pelos homens de bem que nos fazem perceber quanta culpa temos pelas mazelas de nossos dias. E agradeço-te pela paciência para conosco, pois assim sei que não precisamos ainda perder as esperanças no homem.

Desde já, agradeço-te por ter lido essa humilde carta.

Desculpe-me se deixei transparecer alguma falta de fé, mas sou apenas um humano, Senhor. Porém saiba que sempre confiarei em ti.

Não te esqueças de mim nem de meus irmãos de caminhada.


Ass: um de teus filhos.

Conselhos de um alguém

A graça da vida não é privilégio do homem. Nem a dádiva da morte. Ou a dádiva da dor. Ou as dádivas dos sofrimentos e alegrias terrenas. Todos somos filhos de Deus, ao nosso modo. Como seres humanos ou não, dignos, todos somos, das graças divinas para conosco. O amor, outra das graças proporcionadas e ofertadas aos seres, é imensidão de bênçãos espalhada pelos caminhos da labuta terrena. Em meio a tantos martírios e venturas, fazemo-nos mais ou menos felizes de acordo com o tanto de amor que a todos ofertamos. Ofertemos amor, meus caros. Ofertemos tudo o que pudermos aos que pouco tem, mas que muito se sentem necessitados. Nessa lógica, muito bem lembrou-nos nosso mestre Jesus quando nos disse para ofertarmos a outra face aquele que nos esbofeteou uma delas. Perdoemos ao outro! Perdoemos sempre! Oremos pelo outro! Oremos sempre! Amemos a todos, também sempre! Pelo amor e por amor seremos felizes, pois o amor é imensidão de paz que nos ronda quando dele usufruímos e fazemos valer em nossos corações através dos atos de afeto para com todos os seres. Não separemos nossos alvos de amor. Não tornemos distintos esse ou aquele ser a ponto de direcionarmos nossos atos. Ofertemos amor, apesar de tudo. Ofertemos aos seres humanos, nossos semelhantes, bem como aos demais animais e coisas desse mundo em que habitamos. Ofertemos esse amor a todos, apesar dos atos de uns que nos não pareçam corretos. O certo e o errado não nos pertencem, não nos cabe julgar, mas sempre nos pertencerá nossa oportunidade de ofertar amor e paz aos que nos ladeiam na caminhada.

Amemos a todos. Sejamos bem aventurados, segundo o Cristo nos pediu e nos ensinou. Não será por falta de ensinamentos que erraremos, mas sim por nossas falhas de compreensão. Saibamos usar a dádiva do livre-arbítrio trazendo o bem para nossos corações. Tornemos a nós todos fiéis seguidores dos atos do Cristo. Façamos em nós a diferença que esperamos para o mundo. Somemos nossos atos de caridade com os dos outros. Amemos somando nosso amor aos demais amantes do mundo. Façamos o bem, sempre! Agreguemos bem estar às vidas de todos. Nunca julguemos o alvo de nossos afetos. Nunca deixemos de ofertar aquilo que gostaríamos de receber. Sempre e sempre doemos a nós mesmos ao mundo, conforme Jesus nos pediu. Não subimos à cruz para pagar nossos pecados, mas deixar de ofertar o amor que Ele nos ensinou, é criar novas cruzes para serem carregadas pelo mundo já tão escarnecido pelo males que se nos interpõem por durante a caminhada.

Pedro GuiSaX.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Escravidão dos Antigos e a dos Modernos!


Na exposição da teoria política de Aristóteles, tem sido comum lembrá-la como uma visão justificadora da escravidão, que veio a ensejar séculos depois a dialética hegeliana do senhor e do escravo. A presença da idéia do Estagirita na história do pensamento humano e nas teorias políticas modernas, incluindo o constitucionalismo gerado de linhas filosóficas antigas com a utilização de termos emprestados à jurisprudência, merece uma reflexão crítica. A escravidão dos antigos não pode ser comparada à dos modernos.

O tema é fascinante e iluminado juridicamente pelo direito romano, embora a historiografia política grega já sinalizasse a verdade.


Em um seminário, na UnB, no início da década de 80, Hélio Jaguaribe, falando sobre a democracia de Péricles, lembrou a situação peculiar do escravo em Atenas. Não havia diferença aparente entre o escravo e o homem livre: vestiam-se todos de maneira semelhante. Nada revelava desigualdades econômicas. Quem observasse o povo da cidade, não notaria existir ali a escravidão. A diferença estava em que o ateniense era senhor de si e participava da direção da Polis, enquanto o escravo não exercia a liberdade. Um era livre e o outro não. A liberdade consistia na participação nas decisões do governo (liberdade dos antigos). Alguém interveio da platéia: " – preferiria ser escravo em Atenas a ser livre em Cuba!"

O direito romano trouxe a lição derradeira. A escravidão não decorria do ius civile, mas do ius gentium, onde se situa a guerra: o soldado derrotado tem o direito de morrer ou trocar a liberdade pela vida. Somente em priscas eras o homem poderia oferecer a sua liberdade para responder pelas dívidas. "A escravidão é constituída no ius gentium, pela qual alguém está sujeito, contra a natureza, ao domínio alheio" (Digesto 5.4.1 – Florentino). "No que diz respeito ao ius civile, os escravos são considerados como nada; todavia, não em atinência ao direito natural, porque todos os homens são iguais" (Digesto 50.17.32 – Ulpiano).


Uma das características do direito romano foi sempre a de privilegiar a liberdade (favor libertatis). Ampliaram-se e simplificaram-se, sempre, as manumissões. Na dúvida, a favor da liberdade. O escravo em Roma era uma pessoa, embora fosse também uma coisa, objeto de propriedade. Era res+persona. O senhor que maltratasse o seu escravo poderia ser punido; se o matasse, cometeria homicídio. Marx equivocou-se, na ânsia economicista, em lembrar, com base em Cícero, que o escravo era mera ferramenta falante.

Que diferença da escravidão dos modernos! O escravo mercadoria; os negreiros (traficantes de negros e origem de muitas fortunas familiares brasileiras) na mais sórdida das missões; discussões se os escravos tinham, ou não, alma; Zumbi escravizando os próprios irmãos de infortúnio. A mancha da história do Brasil, que Rui procurou apagar queimando arquivos da nossa maior miséria, que a Princesa Isabel, hoje esquecida e vilipendiada, suprimiu sancionando a Lei Áurea, a maior e a menor de nossas leis (apenas dois artigos).

Como a escravidão dos antigos era diferente da contemporânea, no plano da exploração mal remunerada dos trabalhadores, no egoísmo do capital e na usura internacional, que escraviza os povos pela dívida externa.

Evidencia-se mais um erro do positivismo-marxista. As fases da história nem sempre evoluem para um estágio melhor. Nem sempre o passado foi menos humano do que o futuro.

Rafael Vitoreti

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nacionalismo Brasileiro, Uma Questão de Cidadania

Outro dia rodando por estações de rádio da internet e me deparei com uma música que a muito não ouvia... Uma música que fala de uma força há muito esquecida pelos brasileiros, fala de um povo brasileiro que luta, que tem garra... Hoje acho que a musica se encontra esquecida, pelo menos eu tinha muitos anos que não ouvia ela, e esses muitos anos que digo são mais de 15anos.

Bom, seguindo por um pequeno raciocínio, vemos que nesses 15 anos (ou mais) que não ouço essa música, percebo uma drástica mudança no comportamento e na maneira de pensar dos brasileiros. Essa música que me refiro foi composta em 1986, lançada em 1987, ou seja, foi lançada na época de uma mudança, fim da ditadura, assembleia constituinte ia ser formada, em 1988 teríamos a nossa constituição. Alguns anos a frente, tivemos em 1992, o grande movimento dos "Caras-Pintadas" que praticamente "depuseram" um presidente, digo isso, pois na história temos que o Collor sofreu um Impeachment, mas bem sabemos pois apesar da pouca idade que tínhamos na época, que a grande pressão veio das ruas, dos estudantes, do POVO BRASILEIRO.

Nos dias de hoje, vemos que a nossa realidade é extremamente diferente desse nosso passado não tão distante, hoje vemos políticos colocando propinas em cuecas, meias etc. Vemos correndo solto mensalões, compra de votos para todo e qualquer tipo de ato, lei e decretos no Congresso Nacional, vemos compra de votos até para elegermos esses nossos representantes. Vemos leis infames, quando o que é para ser aprovado para o bem do POVO BRASILEIRO não é de fato aprovado. Um exemplo clássico é a hipossuficiencia de leis ambientais para evitar desmatamentos e quaisquer outros danos ao meio ambiente, isso acontece porque a grande maioria dos NOSSOS REPRESENTANTES são os que mais causam danos, para que eles iriam aprovar algo que prejudicaria eles???

E onde está o brasileiro para protestar contra essas atitudes hediondas contra nosso Brasil??? Possivelmente em suas casas, pensando "e daí? Não estou sendo afetado". Podemos não estar sendo afetados por enquanto, mas e quanto ao nosso moral? Quanto a nossa honra de brasileiros? Quanto a nossa cidadania? Ah sim, havia me esquecido de comentar a respeito do que anda tocando ultimamente... Hoje temos fortes músicas de grandes impactos sociais... Permitam-me citar "Créu" é o que acontece com os brasileiros ultimamente... "Rebolation" é o que temos que fazer sobrevivermos sem a ajuda de NOSSOS REPRESENTANTES... Sem contar aquelas com claras apologias sexuais... A música que eu me referi no inicio não é dos grandes poetas da década de 80, como Cazuza, Renato Russo e outros... É um axé tocado pela banda Chiclete com Banana chamada Fé Brasileira. Quem me conhece deve estar se perguntando o porque eu estaria ouvindo um axé da década de 80... Mas quem me conhece sabe que uma das coisas que aprecio em primeiro lugar em uma música é a letra e essa tem uma letra perfeita conforme transcrevi abaixo:

"Vendo rolar o suor no rosto brasileiro

Vou dizer do coração

Sou da América Latina e não sou estrangeiro pra cantar essa canção

Verde, amarelo, tenho a fé brasileira

Sei o que quero, tenho a minha paixão

Sou brasileiro, sacudindo a poeira

Ainda levando a fé para o coração

Encara Brasil, não me deixe na mão

Eu amo você

Quero sentir teu calor

Pra que o sol e a liberdade possam ter

A esperança perdida de um povo guerreiro

Que luta por nosso Brasil

Um Brasil brasileiro

Se liga Brasil

Eu sou brasileiro"

Esse ano de 2010 iremos eleger nossos representantes, "novas" pessoas que irão governar nosso Brasil pelos próximos 4 anos. Na mídia já vemos em pequenos comerciais falando da conscientização que nós eleitores temos que ter ao eleger nossos governantes. Será que a mídia não poderia voltar essa mensagem para os futuros candidatos, na ideia de conscientizar os politicos sobre como governar com dignidade? Será que nós meros cidadãos, meros eleitores, não podemos conscientizar nossos candidatos? Não adianta fazer protestos de votar em BRANCO ou NULO, isso pro nosso sistema eleitoral de nada vale, temos é que de fato escolher alguem digno, cobrar dele o compromisso, "apontar o dedo na cara dele" e mostrar as falhas, mas também devemos congratulá-lo com os acertos. Mas não adianta 2 coisas erradas e 1 certa para nos calar, temos que estar sempre em cima, cobrando, mostrando que nossos titulos de eleitores não são apenas documentos que usamos apenas para votar, mas sim uma das maiores "armas" que temos em nossas mãos.

Vamos mostrar a força e a fé brasileira, não falo isso para ir para Brasília, marchar e pedir a saída de todos do Senado e da Câmara dos Deputados. Pelo menos que começamos a fazer isso em nossa cidade, pois é começando de baixo que alcaçamos os grandes objetivos. Porque não irmos há uma reunião dos vereadores, sugerir alguns projetos de leis, sugerir melhorias para a nossa cidade. Mostrar com isso quem somos, o que queremos e como queremos. Pois não adianta querer criticarmos algo e não sugerir algo melhor. Somos brasileiros e somos capazes disso.

Acho que me expressei até demais com isso, mas mostra que uma pequena coisa como uma música simples, nos faz pensar em diversas coisas, em como deixamos pequenas atitudes de lado... E vamos percebendo bem aos poucos o reflexo disso tudo em nossa sociedade e em nosso país.

Espero que minhas opiniões aqui expressas possam ter feito vcs pensarem e estamos abertos a discussões sobre como agirmos em nossa cidade, nosso estado e no nosso BRASIL.

Rafael Vitoreti

A Relação Médico-(Mídia)-Paciente!

Houve uma época em que médicos e pacientes viviam em completa harmonia. Médicos eram bem quistos pela sociedade, que os retribuíam com convites para festas de aniversário, para o lanche da tarde junta às famílias de seus pacientes, recebiam gratificações como galinhas, frutas, grãos de certas colheitas numa forma de pagamento que mais tinham de manifestação de afetividade que de outros interesses. Eles, os médicos, nada exigiam dos pacientes além da oportunidade de exercerem a medicina plena. Nada exigiam, os pacientes e familiares, dos médicos além da atenção despendida e do esforço para a cura das doenças que mitigavam a saúde daqueles enfermos. Essa época deve ter sido boa! Hoje sobram, segundo os otimistas, algumas dessas manifestações em áreas longínquas pelo interior de nosso país, talvez. Alguns médicos, segundo esses, ainda trabalhariam apenas pela oportunidade de servirem à medicina. Alguns pacientes ainda não esperariam nada além do esforço e atenção do ‘’doutor’’. Mas, com o advento da comunicação em mídia impressa, televisiva, ou outras quaisquer, essa história foi se perdendo. Interesses escusos passaram a se misturarem aos caminhos da relação médico-paciente. Médicos e pacientes se digladiam nos canais de televisão, uns acusando os outros, uns querendo mais e mais do outro, numa relação doentia de mercado, em quem todos querem ganhar algo em troca, que nunca deveria fazer parte do trabalho médico, mas infelizmente passou a fazer e a estigmatizá-lo.

Hoje, muitos têm medo dos médicos, outros têm raiva, outros inveja, poucos persistem na admiração e respeito – embora algumas pesquisas apontem para o contrário, mas ainda teimo em ser descrente quanto a isso. Muitos médicos não conseguem se dedicar adequadamente à medicina e, por conseguinte, aos seus pacientes – dizem uns ser devido à falta de tempo, excesso de pacientes, pelo sistema de saúde em pura calamidade. O que é fato, hajam pesquisas ou não sobre isso, médicos e pacientes se distanciaram e se distanciam cada vez mais. Não se ouve mais – ou ouve-se muito pouco - sobre médicos que visitam seus pacientes, que aceitam doações repletas de afeto (frutas, galinhas, presentes quaisquer) na forma de pagamento ao invés de dinheiro ou algo que o represente. O que nos distanciou de nossos pacientes? Algo há entre nós! Esse ‘’algo’’, creio eu, é explícito e faz parte de nosso cotidiano: a mídia. Somos, como médicos, alvos de repórteres inescrupulosos e sensacionalistas que querem apenas ver suas reportagens no ar - ‘’doa a quem doer’’, diria o jargão popular. A busca pelo ibope da mídia passou a andar na contramão da relação médico-paciente. Médicos são acusados de errar, como se errar fosse algo inconcebível, até mesmo desumano.

Reportagens em todos os horários, em todos os jornais, tentam denegrir a profissão médica. Tornam os médicos verdadeiros culpados perante a sociedade. Fazem nosso povo ver em nossa profissão um amontoado de homens e mulheres cheias de dinheiro e que querem apenas mais e mais dinheiro pelo atendimento aos enfermos. Daí, os antigos ‘’advogados de porta de cadeia’’ mudaram de endereço, habitando hoje nas portas dos hospitais à espreita, aguardando uma oportunidade de convencer um paciente de que a morte de algum ente querido tenha ocorrido por erro daquele que recebeu dinheiro para salvar o enfermo, merecendo, assim, ser processado e humilhado diante dos jornais. Não se importam em saber os motivos que levaram ao possível erro, o que estava por trás do óbito ou da seqüela de um paciente. Apenas é vista a oportunidade de culpa para o médico. Volta-se à idéia de que médicos não erram ou que não podem errar. Por vezes, penso: aonde iremos parar? Nossos pacientes se afastam de nós e passamos a aceitar de braços cruzados os noticiários da mídia que nos estigmatizam. Nada se fala dos médicos que estudam por seis anos, fazem em média mais 2 ou 3 anos de residência, totalizando um total de quase 10 anos de estudos para à dedicação mais competente aos seus pacientes. Não são lembrados os médicos que trabalham em plantões durante as madrugadas, que atendem de forma gratuita em instituições de caridade, ou que se dedicam a movimentos humanitários como os Médicos Sem Fronteira, por exemplo, para não citar outros. Nada falam dos médicos que ainda aceitam aqueles ‘’presentes’’ na forma de pagamento por seus atendimentos (Opa, sim, sou um daqueles otimistas! Creio, ou melhor, tenho certeza de que esses médicos existem).

Nada se faz pelos médicos que são acusados em rede nacional e depois prova-se sua inocência. Jornalistas podem acusar os erros dos outros. Juízes podem condenar médicos por seus erros, mas não deveríamos pensar que jornalistas também erram? Que juízes também erram? Sim, existem os erros dos jornalistas, os erros dos juízes, dentre os de outras profissões, não apenas os erros médicos. Todos erramos. Juízes condenam inocentes, inocentam culpados e vigaristas. Jornalistas se sujeitam a denegrir inocentes a fim de terem reportagens polêmicas que tragam ibope aos jornais. Todos somos corroídos pelo erro, em menor ou maior grau. Mas não se erra, creio eu, de forma consciente. Mas, não posso me enganar: todos erramos. Somos humanos e sempre seremos. Sejamos médicos, pacientes, jornalistas, juízes etc. Que nossos pacientes voltem a nos olhar com bons olhos mais que às reportagens sensacionalistas. Que nós, como médicos, sejamos cada vez melhores como profissionais – para nós mesmos e principalmente para os que estão enfermos. Que o jornais passem a respeitar os profissionais médicos e, atentem-se ao fato de que também existem os ‘’acertos médicos’’ – embora, na mentalidade desses jornalistas, esses ‘’acertos’’ não consigam aumentar o ibope.

Bom, para nossa sorte, ainda existem médicos que querem simplesmente exercer a prática médica e serem úteis aos seus pacientes. E, também para nossa sorte, nossa população tem percebido que os jornais são, sim, sensacionalistas. Um dos exemplos interessantes e recentes que temos seria o programa E24, que é visto num emissora de TV de grande porte de nosso país. Nesse programa todos conseguem perceber o quão difícil é ser médico num sistema de saúde em calamidade.

Sonhar que aqueles tempos de outrora onde havia completa harmonia entre médicos e pacientes deve ser prática diária de todos nós acadêmicos de medicina. Queiramos ou não, somos vítimas de críticas de jornalistas e de outros profissionais, mas, se estivermos sendo alvo dos elogios de nossos pacientes, isso já nos basta! Para eles (nossos pacientes) formamos, por eles trabalhamos, como eles morreremos. E que, enfim, aprendamos a aplicar a máxima: ‘’amar ao próximo como a ti mesmo’’. Assim, médicos e pacientes serão parte de um futuro harmonioso e duradouro.


Pedro Guisax